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Os Homens por detrás dos Homens

bageirasSe esta crónica fosse sobre futebol, começaria a escrever que o Cristiano Ronaldo é um craque mas para chegar onde chegou precisou de ter a seu lado os melhores treinadores, fisioterapeutas, nutricionistas e um conjunto de profissionais cuja tarefa maior é que o seu craque brilhe em constelação própria.
Mas esta crónica não é sobre futebol. É sobre vinhos. E se é sobre vinhos, e sobre a nossa paixão máxima, temos que falar sobre os nossos Homens, os nossos craques.

Nos vinhos, estes craques têm vários títulos e funções. Para uns, o enólogo é Deus e temos um conjunto de estrelas de primeira grandeza nessa arte. Felizmente, não precisamos de passar por grandes apertos para conviver com eles. Basta ir a uma adega, a uma feira, a um evento vínico e ai estão, cheios de sorrisos e de vontade de mostrar o seu conhecimento e, mais importante ainda, partilhá-lo.
Para outros, o proprietário original, a familia e o seu sonho é que marca os vinhos e o terroir e por isso são mais importantes que o próprio enólogo. Alguns são coincidentes, mas também têm em comum uma grande humildade e uma forma de estar muito particular. É claramente um campeonato diferente e muito engraçado.

Mas por detrás dos enólogos e de outras figuras gradas da nossa paixão, estão aqueles que, encobertos, ajudam os outros a brilhar. São pessoas simples ou mesmo rudes, licenciados de matérias feita pelas horas ao sol ou com a lábia superior das milhentas estórias contadas.

Nós, enófilos, vamos conhecendo, a pouco e pouco, entre visitas a quintas e feiras, esses homens. Ele é o viticultorque conhece, tipo CSI, qual a casta daquela vinha velha; é o faz tudo da empresa, que desde serviços administrativos e motorista a feiras dá a cara; é o jovem enólogo residente que mostra serviço e que é a base das estrelas da consultadoria; é o melhor relações públicas que nos recebe numa quinta e que sabe, de trás para a frente, a história de cada vinho.

Nós, os enófilos, saudamos os homens por detrás dos homens, as figuras silenciosas que são, afinal, o coração das grandes casas!

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SC Beira-Mar: A hora é de mobilização, não de divisão

simbolobeiraSport Clube Beira-Mar. Clube nascido durante o ano de 1922. Clube que já passou por várias crises históricas – basta reler notícias de jornais e actas de várias épocas. Clube que está num momento de viragem, em 2015, rumo ao centenário da sua fundação. Ou rumo ao seu fim. Espero que seja o primeiro. Como quero fazer parte da Comissão do Centenário, é altura de trabalhar para que exista um GRANDE Sport Club Beira-Mar em 2022. Espero que tenham a paciência para ler mais um pouco. Aviso, com tristeza para alguns, que não irei criticar ninguém.

Primeira reflexão: não é momento de divisão, é momento de mobilização – ao contrário de outros beiramarenses e aveirenses (entendo que haja segundos que não queiram ser primeiros…), entendo que a actual situação do Sport Club Beira-Marnão deve ser motivo para “caça às bruxas”, ataques, ajustes de contas, expulsões. Acho que os verdadeiros beiramarenses não se revêem neste tipo de situações.  As divisões e os ataques pessoais já violentaram muito o clube e isso não pode continuar a acontecer. Todos temos a nossa opinião sobre o que aconteceu nos últimos 25 anos.  O António tem a sua, o Alberto também e o João, decerto pensa de outra maneira. Entendem que a direcção X matou o clube, a direcção Y apertou o pescoço e a Comissão Z esventrou-o. É altura de PARAR com esta divisão. Também é altura de parar com o egocêntrico: “eu salvei o clube”. Não foram os primeiros…

carroalegoricobeiramarOs sócios do clube são todos, uns ENORMES beiramarenses. Aqueles que irão continuar a pagar 25 euros, ou mais, por ano, para existirmos. As direcções que passaram pelo clube tentaram, decerto, e cada um da sua forma, tudo para atingir grandes desígnios. Cada uma tinha o seu modelo financeiro e a sua estratégia desportiva. E se correu mal ou bem, também é de louvar o dispêndio de tempo e as questões profissionais que a sua participação numa direcção de um clube levou.

Os culpados somos todos nós.

Há quem saia do clube e deixe de ir às assembleias gerais, há quem se sirva do clube. Mas a verdade é que foram os sócios do clube que se alhearam da vida associativa e do NOSSO clube. Os sócios que continuaram a acreditar, não no Pai Natal, mas em orçamentos que não existiam e contas com passivo. Mesmo os que votaram contra certas medidas – onde eu me incluo – tiveram uma falha: a de não conseguir convencer as pessoas da verdade e da boa intenção das suas acções.

Nos últimos 25 anos, o Sport Clube Beira-Mar teve direcções autofágicas. Teve inimigos figadais de uma direcção para a outra. Perdeu sócios por isso. Perdeu sócios porque as equipas só se preocupavam ou com a sobrevivência ou com o futebol. Perdeu a ligação à cidade, a cidade perdeu a ligação ao clube. Com o fim de uma série de modalidades, perdemos o amor, o clubismo, a ligação umbilical aos que ainda decidem alguma coisa nesta cidade.

Nesta fase temos que reagir. Temos que unir. Ser ambiciosos e realistas. Temos que voltar a ser um clube de bairro, com a humildade e o engenho que os clubes de bairro possuem para sobreviver. Nesta fase é que vamos ver s ainda temos a garra das gentes de Aveiro, da Beira-Mar. Ou dos beirões que se juntaram. Somos 500 em 10 modalidades, seremos 5000 com 20 se todos derem as mãos.

Deixo algumas linhas de acção para o futuro:

  1. Temos que saber quem somos. Proceder à renumeração e à maior campanha de novos sócios, com quota única (e várias modalidades para empresas e para quem pretenda realmente ajudar o clube)
  2. Temos que saber o que queremos. Definir e projectar o clube para 2022 – Projecto Desportivo, Modalidades a abranger, Definição de estruturação, Instalações Desportivas, Área de Acção, Marketing e Comunicação
  3. Temos que saber lutar para ter património. Numa zona estratégia da cidade. Património que nos faça crescer em número de sócios, em serviços, em pujança clubística e em saúde financeira.
  4. Temos que ser humildes. Um clube, a exemplo do país, que está nas mãos dos credores, não é um clube, é um joguete. Temos que pensar em orçamentos de filosofia zero, voltar a fazer bifanas, rifas, t-shirts e cachecóis, pois não podemos ter despesas superiores às receitas. As secções e o clube têm que estar em união – serem unos. Não podemos ter camisolas sem patrocínio. Temos que pedir aos nossos credores que, numa acção benemérita, decidam anular as dívidas. Quem o fizer, receberá os elogios dos verdadeiros beiramarenses!

E por fim, temos que estar unidos. Não vamos pelo caminho dos ataques ou das destituições de sócios. Quem for para Assembleias Gerais para defender essas políticas, terá neste sócio um feroz inimigo. Quem for para a Assembleia para ajudar, terá aqui o maior aliado.

Em 1995, Nelson Mandela numa das suas primeiras acções, criou a Comissão da Verdade e Reconciliação. Esta estrutura estava inspirada na filosofia Ubuntu. A palavra Ubuntu tem origem em África e exprime a consciência da relação entre o indivíduo e a comunidade.  Na tradição sul-africana, a reconciliação se exprime através do ubuntu ou humanismo, que inclui valores como a compaixão e o comunhão – valores que orientaram a Comissão Verdade e Reconciliação e serviram como base para a formulação dos objetivos nacionais de reconstrução e reconciliação. Existiram “Comissões” deste tipo na África do Sul, Peru, Chile, Coreia do Sul e muitos outros países.  Só assim se ultrapassaram décadas de mortes, ataques e divisões…

QUEREM AJUDAR O BEIRA-MAR? 25 euros por ano a multiplicar por 25 mil sócios dava para um orçamento anual de 625 mil euros, suficiente para nos guindarmos, em passos seguros, ao topo das modalidades portuguesas!

João Manuel Oliveira

joao.oliveira@gmail.com

Sócio do Sport Club Beira-Mar e secretário da mesa do Conselho Beiramarense

Artigo Publicado no Diário de Aveiro

Como os servicinhos gratuitos lixam o negócio…

Nesta simples análise explicamos como um prestador de serviços, seja advogado, assessor de imprensa, designer ou fotógrafo sofrem as consequências da noção da “borla” e como se irritam com organizações que falam muito de empreendedorismo e depois solicitam “voluntários”…

Quando se pede a um amigo fotógrafo, advogado ou assessor de imprensa um “favor” nada de mal vem ao mundo. É o reflexo de um modelo de economia informal e depende deste “amigo” decidir, por sua livre e espontânea vontade se aceita.

A conversa muda de tom quando estamos a referir-nos a empresas e/ou a colaboradores dessas empresas. Muitas vezes entendem que o prestígio e o “criar currículo” é um chamariz suficiente para “cativar” o profissional para um negócio que é apenas vantajoso para uma das partes.

É que os trabalhadores por conta própria têm uma fórmula perfeitamente concreta para definir o valor pelo qual devem ser remunerados. Não a conhece? Aqui vai

RE = (C.E.M + C.A.M. + C.I.E. + L.P.) / H

Não é difícil de perceber. O Rendimento Esperado (valor dos serviços) é igual ao Custos de Estar no Mercado (sabe, aquelas coisas que não podemos evitar, como Impostos, Segurança Social, Registo de Actividade, Contabilista e Espaço para Trabalhar) somado ao Custo de Aquisição de Material (onde se inclui desde os computadores, software, telemóvel, acesso à Internet ao custos das formações que se fez para se chegar a um determinado nível) e aos quais se deve adicionar o Custo Inerente ao Evento/Serviço (que tem como variáveis coisas como o Tempo Disponível para Preparação e Pós-Produção, o tempo disponível na actividade ou os custos de deslocação e de desgaste do material) ao qual se deve, convém, adicionar uma margem (LP= Lucro Potencial).

Estas variáveis devem ser divididas pelo número de horas que o profissional pretende trabalhar, de forma a definir aquilo que efectivamente custa ao cliente.

Este factor é fundamental, pois quando um profissional por conta própria aceita um trabalho está “impossibilitado” de fazer outro naquelas mesmas horas e também deve calcular o custo de não estar a fazer actividades pessoais ou familiares (desde um treino, um jantar com amigos ou passar mais tempo com a mulher/namorada/filhos).

Ser profissional é não aceitar borlas, por natureza.É assumir um claro confronto com organizações supostamente a viver graças aos voluntários. Quando aceitamos realizar gratuitamente uma atividade profissional (seja um cartaz para uma conferência ou a contabilidade de uma empresa), estamos a prejudicar terceiros.

Vários profissionais do mesmo ofício que, por causa da “borla”, estão a ser confrontados com pedidos de abaixamento de “orçamentos” ou o puro desprezo: “conheço alguém que faz isto sem receber… “.

Terminamos lembrando que é na lógica de mercado que devemos mostrar as nossas competências, não é estragando o mercado a todos.

João Oliveira, assessor de imprensa

Rui Costa, fotógrafo

Antero Almeida, advogado

(artigo originalmente publicado no Linkedin)

Pavilhão do Alboi… Memórias e Futuro (17/01/1974 – 26/10/2014)

Hoje será efectuado o último acto solene do Sport Clube Beira-Mar no seu Pavilhão do Alboi. Vivi, como muitos beiramarenses, momentos alegres de convívio, muitos derbys, equipei-me nos seus balneários. Comi no bar, aqueci a mandar bolas ao cesto enquanto o treino de corrida não começava. Convivi com o Andebol e o Basquetebol, masculinos e femininos.

Ficam as memórias, fica a nostalgia. 40 anos é pouca idade mas muitas memórias!

Atletas da Secção de Atletismo do Sport Clube Beira-Mar (finais dos anos 80)

Fica para outra altura lembrar o que levou a isto. Hoje é dia de recordar os bons momentos!

Mas lanço desde já o desafio do futuro. Duas peças, que são pertenças do Sport Club Beira-Mar, da nossa memória colectiva, não devem ser

Placa de homenagem aos 12 beiramarenses. Esta placa foi colocada em 1977

deixadas no pavilhão: a placa em homenagem à comissão e o painel cerâmico, que presumo seja da autoria de Vasco Branco . À posteriori, pesquisei e reparei numa informação, não confirmada, de Cardoso Ferreira no Correio do Vouga, a referir que o painel, não assinado, “foi executado por Aníbal (que também assinava com o nome de Cruz Correia), artista aveirense proprietário da oficina “Barros de Aveiro”, que serviu de referência a muitos dos atuais ceramistas aveirenses.”

Devem ser retirados e colocados no futuro pavilhão do Sport Clube Beira-Mar que, estou certo, bem mais do que 12 bravos beiramarenses irão apoiar a sua construção.

painel cerâmico
painel cerâmico

O futuro do Beira-Mar existe enquanto se mantenha o verdadeiro espírito das gentes da beira-mar, enquanto as pessoas de Aveiro lutem pelos seus ideiais, pelo desporto, e pelos símbolos aurinegros!

Sport Clube Beira-Mar sempre!

Que o Pavilhão inaugurado a 17/01/1974 por um Presidente da República não seja destruído por ninguém, pelo menos nas nossas memórias.

Ficam aqui alguns artigos sobre a inauguração.

No canto inferior direito, notícia da visita do Almirante Américo Tomás a Aveiro e correspondente inauguração do pavilhão! (Litoral, 19-01-1974)

 

Noticia do Ecos de Cacia, sobre o mesmo assunto

Zomato: um projecto que devia crescer

Correspondendo a um desafio lançado publicamente pelo Zomato, aqui fica a minha opinião sobre o site que pretende ser a rede social/lar de todos os foodies. Todos? Não… mas isso eu explico mais abaixo.

zomatohomepage

 

Ora, aqui ficam três coisas que eu gosto e três que eu não gosto (ou onde vocês deveriam melhorar).

As Boas

  1. A homepage começa bem. Seja nas aplicações móveis (uso Android) bem como no site. As colecções são úteis como ponto de partida para a descoberta de uma cidade nova e facilita a vida ao utilizador.
  2. A aplicação é muito intuitiva e rápida no seu objectivo de fazer com que se encontre o restaurante que se pretende. Em especial na pesquisa. A informação de cada restaurante também é suficientemente detalhada.
  3. A imagem gráfica e a introdução da opinião pelo utilizador.

As assim assim

  • Os “verified profiles” – Correctos, do meu ponto de vista. Servem de garantia. Mas deveria ser prática da empresa separar os “foodies” do marketing dos blogs sobre comida. Esses deveriam ser “obrigatoriamente” verified antes de poderem ser inscritos. Um pouco como o Facebook que desencoraja quem tem um profile de empresa e permite a sua denúncia.

A melhorar (ou nada bem mesmo)

  1. A questão da linguagem. Esse é um problema que sites como o TripAdvisor também falha e o Zomato não fique melhor na fotografia. Quando se escreve a opinião deveria existir um separador ou uma etiqueta para dizer em que língua é que se escreve. Caso contrário, todas estas análises que fazemos são para consumo “interno”. Ou então um não falante da lingua materna do site vai ter que andar a procurar uma análise que lhe interesse, o que poderá ser complicado em restaurantes muito frequentados e analisados.
  2. Wishlist ou Guardar… Era uma boa ideia poder guardar o restaurante. Ok, vocês já o fizeram. Mas e que tal alterar essa forma de guardar através do modelo de categorias ou etiquetas. É que eu posso querer guardar este restaurante porque é barato, fecha ao domingo ou é italiano. E não tenho que andar à procura dele nas dezenas de outros que guardei…
  3. Para todos? Pois… Lisboa, só… E era tão facil arranjar foodies no Porto, Braga, Aveiro (estou disponível) ao invés de só apostarem em grande cidades.

Aqui fica então esta singela análise. E podem encontrar-me no Zomato pelo meu nome ou seguindo o link!

A Reputação, a Comunicação e as Expectativas

Enquanto o mundo tecnológico estava vidrado nas notícias vindas de Cupertino, como se o mundo fosse mudar para milhões de consumidores, houve uma verdadeira revolução no mundo mas ninguém escreveu uma linha.

 

A revolução foi feita por uma empresa centenária, alemã, que há dez anos não lançava uma nova versão do seu produto, com uma marca que nos remete para o filme exterminador implacável: TM-31.

Pois, para 500 milhões de ex-analfabetos dos meandros misteriosos da cozinha, a TM-31 é um auxiliar precioso, e o exemplo perfeito de um produto que se tornou standard no mercado, criando uma nova necessidade: o produto chama-se robot de cozinha e a marca, em Portugal, chama-se Bimby!

Sim, a empresa chama-se Vorwerk, o produto em quase todo o mundo chama-se Thermomix 31 mas em Portugal ficou conhecido com a Bimby, uma verdadeira senhora líder de vendas. Um preço que é o dobro da concorrência (perto dos mil euros) e o exemplo de um produto a usar os métodos de venda através de agentes e de conhecidos para ganhar o coração de milhares de compradores.

Ora, o que aconteceu? Surgiu a Bimby 5ª Geração. Ou no resto do mundo, a TM5. O problema para a administração alemã é que quando lançaram a última ainda não havia Internet nem Facebook. E a rigidez alemã fez o resto. Um problema de relações públicas difícil de lidar e com a quebra de confianças de muitos consumidores na empresa.

Isto porque? Ao contrário do mundo actual, em que empresas de segmentos tão diferentes como o automóvel ou os telemóveis, transformam os lançamentos em eventos, altamente programados e publicitados, a Vorwerk lança o produto a nível mundial no dia 05 de Setembro ao final do dia (uma sexta), sem anunciar nada a ninguém e tendo vendido a Bimby Clássica até à véspera…. Pois, acaba de comprar um produto de 1000 euros que é suposto durar uma eternidade (são alemãs, super resistentes) e de repente há uma máquina que tem um ecrã táctil, um só botão e receitas assistidas por computador, em que o utilizador só precisa seguir as instruções do teclado?
Para agravar o facto, a Bimby Portugal esteve encerrada para férias durante a primeira semana de Setembro, reabrindo no dia 8 para um verdadeiro festival no Facebook de recriminações, insultos e o sentimento de revolta de milhares de consumidoras…

Quais os erros da empresa? Vários. Não anunciaram a alternativa, dando oportunidade às pessoas de optarem por uma das duas (a nova geração custa mais 100 euros) com uma política de descontos ou facilidades de pagamento nos últimos meses. Não fizeram do lançamento da nova uma enorme festa que promovesse ainda mais a empresa e potenciasse vendas. Demoraram a responder no facebook, e fizeram um comunicado difícil de ser credível. Tudo isto criou uma opinião desfavorável nos clientes.

Mas o erro mais grave não é esse. É que o modelo de negócio da Bimby/Thermomix é baseado na CONFIANÇA dos consumidores no produto e na empresa. O agente vai à sua casa porque você tem confiança no produto que ele vende e porque o seu nome foi referenciado por outra pessoa que tem uma Bimby. Um modelo conceptualizado pela Tupperware e que continua a funcionar em milhares de produtos. Desde que sejam credíveis…

Claro que não é um erro de comunicação. É também de gestão, de modelo mental de funcionamento. Mas é por falhas destas que as empresas sofrem. Sinceramente, acho que a Vorwerk não percebeu onde se estava a meter. Uma base de 500 milhões de consumidores não se insulta com segredo. A partilha deve ser incorporada no modelo da empresa.

E o mais curioso é que as receitas na nova TM5 não são compatíveis com a TM31. Claro que a empresa, que edita uma revista, diz que vai continuar a apresentar receitas para a TM31… Pois, mas acredito que vão ser os actuais consumidores a juntarem-se em sites e fóruns e a unirem-se. A Vorwerk pode ter mudado um produto líder. Veremos se continua líder e se volta a conquistar o público que perdeu a confiança na empresa, não no produto…

(este texto foi publicado originalmente no blog DIGITAL AGE)